quarta-feira, 4 de março de 2020

Postagem exemplo




Água Negra é a imagem com a qual Lívia Natália enfeixa um total de 29 poemas, compondo assim uma unidade que vem a representar a primeira publicação em livro de sua produção poética. Decerto, a imagem reivindicada se espraia por todo o conjunto de poemas, reatualizando-se em cada verso. Mas, quais leituras podem ser feitas desta imagem onipresente na lírica de Lívia Natália? Neste texto, eu procuro dar alguns encaminhamentos – talvez incompletos; por certo complementares – à pergunta acima. São três as leituras que faço e defendo aqui: Água Negra, imagem por meio da qual o eu lírico desce às profundidades de tudo o que já não é senão agônica cicatriz, sutura inapagável a proteger, na epiderme de um presente qualquer, uma dor que se potencia no ato de não mais ferir. Imagem-memória. Água Negra, imagem da qual emerge um eu lírico fecundado na aquosa negrura pelo mito que o abarca por inteiro, desde o antes dos tempos e sempre, mesmo no mais íntimo de sua humana e situada condição. Imagem-mito. Água Negra, imagem incontinente, de dentes intangíveis com os quais o eu lírico, ele próprio liquefeito, morde estruturas, transformando-as de forma lenta e consciente tal um borrão na escrita dos versos em que diz de si. Imagem-resistência.

Professor Rafael

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